sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Elimination Communication

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Experiência Pessoal com Elimination Communication


Começamos a nos familiarizar com o tema E.C. ainda na gestação. Nos encantamos com a possibilidade e a associamos imediatamente ao uso de fraldas de pano. Sempre vou usar o plural, pois esse método é praticado tanto por mim quanto pelo Rodrigo, meu marido.
Assim que o nosso filho nasceu, já percebemos que ele fazia cocô enquanto estava mamando. Notávamos isso pelo barulho e porque ele ficava todo vermelhinho. Algumas vezes eu ensaiei de colocá-lo num baldinho, desses de praia, sem arestas e ali ele fazia cocô. É claro que não era a coisa mais agradável do mundo, nem para mim nem para ele, e não tinha a pretensão de ser uma prática, mas de mostrar pra mim mesma que era possível um bebê eliminar fora da fralda. 

Depois do primeiro mês, o ritmo mudou, e ao invés de eliminar enquanto mamava, O bebê começou a eliminar depois da mamada. Eu me dediquei a identificar seu ritmo e muito raramente ele fazia cocô sem ser depois das mamadas. Eu anotava o horário das mamadas e das eliminações, e isso nos ajudou muito a conhecer melhor nosso bebê, e descobrimos que ele mamava e eliminava mais à tarde que de manhã, e à noite mamava raramente e não fazia cocô. Até os 2 meses o bebê tinha choros recorrentes exatamente às 19 horas.
Como o nosso filho nasceu no frio de agosto, acabamos não praticando muito E.C. neste primeiro mês e também paramos de usar as fraldas de pano que vazavam muito e eram difíceis de secar.
Mas com a chegada da primavera e o aumento da temperatura nos empolgamos novamente e começamos a colocá-lo no penico assim que terminava de mamar e ele eliminava!
Essa prática começou a ficar cada vez mais freqüente, e com isso, o choro das 19 horas desapareceu, pois descobrimos que o que o causava eram gases, que eram eliminados junto com o cocô quando o colocávamos no penico, devido a posição em que ficava. Quando o bebê é pequeno e ainda não senta sozinho, precisamos apoiá-lo, segurando-o pelas coxinhas para mantê-los na posição de cócoras, com as costas apoiadas em nossa barriga.
E com os cocôs cada vez mais raros nas fraldas, começou a ficar sem sentido o uso de fraldas descartáveis, então fiz alguns ajustes nas fraldas de pano que tinha comprado para que não vazassem tanto, e aproveitando o sol que secava mais rápido as fraldas, fui gradualmente abandonando as fraldas descartáveis.
O fato é que as fraldas descartáveis nos deixa mais preguiçosas e desatentas. Acomodadas, porque afinal, é só embolar e jogar fora. Com as de pano, como temos que lavar, ficamos mais ligadas e isso ajuda a quem quer praticar o método.
Em muito pouco tempo começamos a pegar todos os cocos, inclusive quando saíamos de casa, na casa de amigos ou no banheiro da pediatra. O que acontece é que se estabelece uma comunicação entre os pais e o bebê, e assim como aprendemos a identificar quando o bebê quer eliminar, o bebê sabe que iremos atendê-lo. E era muito comum, no caso de eliminações fora dos horários habituais (depois das mamadas, no caso do nosso filho), termos a intuição de que ele queria fazer cocô e de fato isso acontecer. Se não confiássemos em nossa intuição e oferecêssemos a ele o penico, ele faria na fralda. A escolha era nossa!

Temos certeza que com essa prática salvamos o nosso filho de muitas assaduras, pois ele fazia certa de 6 cocôs por dia, e depois que começou a diferenciar o dia da noite, nenhum cocô à noite.  E sabemos que também salvamos o meio ambiente do lixo de muitas fraldas descartáveis.
Seguimos nesse ritmo até os seis meses de idade, quando iniciamos a introdução de outros alimentos além do leite materno. Nesta fase, os 6 ou 7 cocôs diários em momentos regulares deram lugar a uma outra rotina variável: às vezes um cocô por dia, outras um cocô a cada dois dias, outras dois cocôs num dia. E cada um num momento diferente: já não dava mais para associar com as mamadas ou as refeições. No primeiro mês não pegamos praticamente nenhum cocô. A única eliminação que permaneceu regular nesta fase foi o cocô logo após a primeira mamada. O bebê acordava, mamava, e invariavelmente eliminava. Para isto, o penico já ficava ao lado da cama, pois nós compartilhamos a cama com o nosso filho.E começamos a afinar nossa comunicação com o bebê... Percebemos que o nosso filho fazia um barulho específico, mas que principalmente nos lançava um olhar que nos dizia que precisava eliminar. E assim, novamente nos entedemos e retomamos ao uso do penico. Agora ele já podia sentar sozinho, sem nossa ajuda para sustentá-lo uma vez que já tinha alcançado esta habilidade.
No inverno instituímos a “hora do bebê pelado” aqui em casa. É que como moramos num lugar de inverno frio, tendemos a deixar o bebê agasalhado o tempo todo, e portanto, de fralda. Para melhorar isso, deixar a pele respirar e permitir que o bebê se perceba eliminando, resolvemos deixá-lo pelo menos uma hora por dia sem a parte debaixo da roupa. Escolhíamos os horários quentes do dia, ou a hora antes do banho, num lugar da casa fácil de limpar, e a cada eliminação, sinalizávamos a ele verbalmente: - Xixi!  ou – Cocô. Fazíamos isso para que ele tivesse consciência que aquilo saía dele, coisa que fica difícil perceber quando se está todo tempo de fraldas.
E isso seguiu assim até os 11 meses, quando ele aprendeu a caminhar se apoiando, e ficou muito interessado em brincar. Ele sabia que queria fazer cocô, mas se escondia atrás da cortina para que não atrapalhássemos sua brincadeira. Percebemos que ele não queria ser interrompido e depois de algumas tentativas frustradas de pô-lo no penico, respeitamos sua vontade, deixando-o fazer na fralda, mas sempre lembrando a ele verbalmente que ele estava fazendo cocô. Consideramos que a comunicação continuava, pois ele nos mostrava que estava eliminando, só não queria ser interrompido e que essa era só mais uma das muitas fases nesse processo. E nem era tão desconfortável lavar as fraldas, pois devido à introdução dos alimentos sólidos, suas fezes estavam firmes e podiam ser descartadas diretamente no vaso sanitário.
Enquanto escrevo isto (início da primavera de 2010), nosso filho tem 14 meses, e estamos entrando em outra fase. Aos poucos estamos voltando ao penico, no qual ele já senta por conta própria. No vaso sanitário ele não se adaptou, pois se distrai muito.  Ele está voltando ao penico desde que começou a esquentar e tem ficado com menos roupa. Deixamos ele pelo quintal, ou em partes da casa fáceis de limpar (longe de estofados, tapetes, etc.), com uma cuequinha, um short ou nu, conforme o ambiente permite. Assim tanto nós quanto ele percebe melhor quando vão acontecer as eliminações.
Achamos que este verão será de muito poucas fraldas, e de muitos cocôs no penico, e xixis no jardim, na grama, no matinho. Mas sem grandes expectativas, porque cada um tem seu tempo...

Este texto foi produzido por Celia Regina da Silva. Para utilizá-lo, por favor entre em contato com fraldamadrinha@gmail.com

domingo, 3 de outubro de 2010

Higiene sem (ou com menos) fraldas

Alguma vez pensou como é que os bebês aprendiam a controlar as necessidades fisiológicas antes de haver fraldas? Ou como é que aprendem hoje em dia nas regiões onde não há fraldas? Existe um método adotado por um número crescente de mães, que é semelhante ao usado desde há séculos pelas mães de todo o mundo, o Infant Potty Training, em inglês, ou higiene sem (ou com menos) fraldas.
Com este método, é possível trabalhar quer com bebês de colo, quer com bebês que já andam, na intenção de que eles não necessitem de fraldas. O momento ideal para começar é entre o nascimento e o início da locomoção (por volta dos 6 meses de idade). Mas também se pode começar com um bebê mais crescido, adaptando algumas das táticas à criança que já anda.
Não há nenhuma expressão que descreva adequadamente este sistema, incluindo Infant Potty Training (literalmente, treinar o bebê de colo para usar o penico) porque, por um lado, o bebê não consegue sentar-se num penico e, por outro lado, o processo tem mais afinidades com o trabalho de equipe (com o bebê) e com a inter-relação do que com o conceito de treino. Ou seja, é um método baseado na comunicação e na interação, tendo pouco a ver com o que normalmente chamamos "treino". A comunicação é a chave para estar em contato com o bebê relativamente às suas necessidades fisiológicas.
A característica mais específica deste método talvez seja o fato de os pais começarem geralmente a trabalhar com o bebê antes de ele conseguir sequer manter-se sentado. Em vez de começarem a informar-se sobre a maneira de ensinar a criança a deixar de usar fraldas quando ela já anda, os pais devem considerar a possibilidade de usar este método durante a gravidez ou as primeiras semanas/meses após o nascimento.
Escolhi denominar este método "infant pottying" e "infant potty training". Há outras designações tais como "elimination communication" ou “EC” [comunicação da eliminação, referindo-se à eliminação por parte do bebê da urina e das fezes] e "trickle treat" [trocadilho intraduzível entre a expressão trick or treat do Halloween e a palavra trickle, fio de líquido], título do meu primeiro livro sobre o assunto, atualmente esgotado. Aqui nesta página encontra-se toda a informação básica e, se quiser saber mais, há dois livros e um DVD da minha autoria sobre o tema:
  • Infant Potty Training – A Gentle and Primeval Method Adapted to Modern Living» (380 páginas), o mais completo livro actualmente disponível sobre o tema.
  • Infant Potty Basics – With or Without Diapers… The Natural Way» (110 páginas), uma edição condensada para famílias frugais ou residentes fora dos E.U.A.
  • Potty Whispering: The Gentle Art of Infant Potty Training» (conjunto de DVD duplo e manual).
 Filosofia

Os bebês são mais inteligentes do que nós pensamos! O grande erro que as pessoas cometem é presumir que um recém-nascido não tem consciência de fazer as necessidades. Partimos do princípio de que um bebê é incapaz de aprender a controlar as necessidades por ser pequeno, não ter coordenação e não andar nem falar. O bebê é tão dependente que se torna difícil para os ocidentais imaginar que um ser tão minúsculo possa ter consciência de fazer xixi e cocô. E é ainda mais difícil para nós acreditar que os bebês tenham algum controle sobre a eliminação. Com esta concepção estreita e preconceituosa, encorajamos e ensinamos os bebês a não se importarem de fazer as necessidades na fralda. Em suma, ensinamo-los a utilizar a fralda como banheiro.
Um bebê normal e saudável, na verdade, tem consciência das funções corporais de eliminação e pode aprender a reagir-lhes desde muito pequeno. Ao utilizar fraldas, condicionamos – e portanto ensinamos - o bebê a usá-las. Mais tarde a criança tem de o desaprender, o que poderá confundi-la e constituir uma experiência traumática.
O bebê faz tudo o que pode para nos comunicar a consciência que tem do que se passa, mas se não o ouvirmos deixa de comunicar e gradualmente perde o contacto com as funções de eliminação. Será condicionado a não lhes ligar e a aprender que queremos que use a fralda como banheiro.
Além de ser quase desconhecido, o método da higiene sem (ou com menos) fraldas a algumas pessoas pode parecer pouco prático. Contudo, salvo relativamente raras exceções, a aprendizagem da higiene sem fraldas é por definição pouco prática seja qual for o modo e o momento escolhidos para a realizar. Se esperarmos que o bebê aprenda sozinho aos 2, 3, 4 anos ou mais, ficamos sujeitos a andar anos a mudar fraldas, com as inerentes limpezas e conflitos.
As fraldas, especialmente as descartáveis, são apenas um meio temporário de resolver a questão. Tentamos "tapar" o sistema de eliminação de resíduos do bebê com fraldas, da mesma forma que estancamos temporariamente um vazamento num cano furado. Quantos pais terão ponderado se esta é a solução mais higiênica para a criança? Quantos pais se preocupam com o impacto ambiental das fraldas? Quantos o fariam se soubessem de uma alternativa à utilização de fraldas a tempo inteiro?

Quem poderá utilizar este método?

Os pais, futuros pais, avós, babás e qualquer outra pessoa interessada em trabalhar afetuosa e pacientemente com uma criança, tendo em vista a higiene sem fraldas, de um modo delicado e divertido. O método resulta melhor quando é utilizado por:
  • mães ou pais que passem pelo menos o primeiro ano ou os dois primeiros anos cuidando do bebê;
  • mães ou pais que trabalham fora de casa e que tenham alguém de confiança cuidando do bebê, como p. ex. um parente, uma babá ou um amigo.
  • mães ou pais que o possam praticar em meio período, com razoável regularidade, p. ex. na maioria das manhãs ou das tardes.
O que é necessário?
 Tempo, dedicação e paciência. Se não puder dispor destas qualidades ou arranjar a assistência necessária, este método não é adequado para si nem para o seu bebê.
Mas se este método lhe parece fazer sentido, se lhe soa bem, experimente! Não faz mal nenhum tentar e, se não resultar, pode voltar às fraldas a qualquer tempo.

Quando é que se começa?
 O momento ideal para começar vai desde o nascimento até ao início da locomoção (por volta dos 6 meses de idade). Neste período, decorre uma fase de sensibilidade e predisposição para a aprendizagem e os bebês podem com facilidade concentrar-se na comunicação das necessidades  de excreção.

Quanto tempo leva?
 No Ocidente, o processo completa-se, em média, por volta dos 2 anos, embora os bebês atinjam um controle bastante bom das necessidades muitos meses antes.

Será seguro?
Claro que sim, desde que os pais estejam com o estado de espírito correto. Têm de estar descontraídos e positivos ao lidar com o bebê. Têm de ter paciência e suavidade, observar e responder a tempo aos sinais do bebê sempre que possível, e dar carinhosamente o apoio necessário enquanto seguram o bebê na posição adequada.
Este método não é punitivo, NÃO inclui castigos, zangas e dominação. Note-se que é diferente do método severo com que nos anos cinquenta se "tirava as fraldas" cedo dos bebês.

Será que dá resultado mesmo?
Sim, mas não sem esforço nenhum. O êxito não acontece da noite pro dia. É preciso pelo menos um adulto empenhado e vários meses de perseverança para completar a higiene sem fraldas. Logo desde o princípio, há divertidas e entusiasmantes recompensas diárias tanto para o bebê como para quem trata dele. A comunicação do bebê é reconhecida e encorajada. Os pais ficam espantados com o grau de consciência do bebê e empolgados quando ele faz sinal e responde tão fácil e naturalmente.

O bebê tem que andar nu?
Não é indispensável. Muitos pais mantêm o bebê com fralda ou fralda-cueca no intervalo das utilizações do penico, enquanto outros preferem deixar o bebê de bumbum de fora ou nu a maior parte do tempo. Em suma, é uma questão de preferência.

Uma descoberta maravilhosa - a minha experiência pessoal com a higiene sem (ou com menos) fraldas
Os meus dois primeiros filhos deixaram de usar fralda da maneira convencional. Quando o meu terceiro filho nasceu, eu nem queria pensar que ia ter de passar outra vez pelo mesmo processo, que implicaria mais uns quantos anos de fraldas, e comecei a procurar um modo melhor de tratar da tarefa.
Aprendi os princípios de uma técnica alternativa através de uma senhora indiana que estava de visita em nossa casa. Ela ficou horrorizada quando lhe falei da forma como os ocidentais lidam com "a questão das necessidades fisiológicas" e explicou-me como se faz na "terra dela", na cultura dela. Não acredotei quando me disse que não é preciso pôr "panos" num bebê a menos que esteja "mal da barriga" ou febril ou se fizer xixi na cama a maior parte das noites. Eu já tinha estado na Índia várias vezes e vi lá famílias pondo os bebês a fazer xixi e cocô no campo, mas não tinha prestado muita atenção. Como muita gente, parti erradamente do princípio de que os ocidentais não poderiam usar aquela técnica.
Pedi à minha nova amiga que me falasse mais daquilo e que me ensinasse a segurar no meu filho e a pô-lo a "fazer", o que ela aceitou de boa vontade e sem qualquer esforço.
Fascinada, observei-a a comunicar com o meu pequenino de 3 meses, que parecia saber instintivamente o que ela queria que ele fizesse. Só consigo descrever o intercâmbio e o entendimento instantâneo entre ambos – uma estranha e um bebê de colo – como uma descoberta maravilhosa.
Utilizei a técnica que ela me demonstrou, alterando-a e adaptando-a ligeiramente ao estilo de vida ocidental, e descobri que é muito superior ao sistema convencional que recorre à fralda primeiro e depois ensina a usar o penico. Desde o dia em que comecei a trabalhar com o meu filho de 3 meses, ele raramente precisou de fralda, quer de dia quer de noite. Com 18 meses mantinha-se seco a maior parte do dia e com 25 meses tinha completado em todos os aspectos a higiene sem fraldas.

Perspectivas e origens
Este método começa por associação e pode ser abordado tanto de forma racional e científica como intuitiva e espiritual, ou uma combinação de ambas, conforme o que resultar melhor com você e com o bebê. A abordagem racional implica o cálculo dos momentos oportunos e a observação dos padrões de eliminação e da linguagem corporal do bebê. A abordagem mais espiritual requer intuição e "sintonização" com o bebê, por meios mais sutis.
Lembre-se de que é um trabalho de equipe, algo que fazem juntos através de uma comunicação íntima e baseada na confiança. Não é uma coisa que está fazendo ao bebê, nem é uma coisa que o bebê possa fazer sem você. Se tiver a vontade e a possibilidade de o fazer e se o bebê for saudável, então o bebê não precisa de mais nada para começar a trabalhar com você.
A higiene sem (ou com menos) fraldas baseia-se numa técnica de aprendizagem do controle das necessidades utilizada em grande parte da Ásia e da África. O método foi adaptado ao estilo de vida ocidental em vários aspectos, incluindo o recurso a um lavatório, vaso sanitário, penico ou outro recipiente; variações nas posições de eliminação; utilização da técnica em meio período; e, caso se queira, uso de fraldas em meio período.

Resumo do método
1. Observação – Deite o bebê sem fralda num lugar confortável, quente e seguro, e observe:
a) o ritmo (durante quanto tempo e com que frequência faz xixi e cocô depois de acordar ou de comer)
b) a linguagem corporal (a forma como se mexe e contorce ou os trejeitos que apresenta enquanto faz as necessidades)
c) sons (resmungos ou gemidos ao defecar)
Isto também se pode fazer usando um sling. Com efeito, andar com o bebê ao colo num sling é uma das melhores maneiras de nos familiarizarmos com o ritmo e os padrões de eliminação dele, já que nos apercebemos logo do que acontece. É particularmente vantajoso em climas frios ou casas com pouco aquecimento. Há mães que andam com o bebê nu no sling, contra a pele delas, o que o mantém com a temperatura corporal perfeita. Se quiser, pode colocar uma fralda de pano debaixo do bebê enquanto ele andar no porta-bebê. É claro que não é indispensável o bebê estar sem roupa no porta-bebê. Mesmo que ande um pouco vestido e/ou com uma fralda de pano sem cobertura impermeável, vai aperceber-se quando ele fizer as necessidades.
2. Antecipação ou intuição
Antecipe o momento em que o seu bebê vai precisar de urinar ou evacuar e faça então um som de água a correr, como um "sssss". Se o bebê começar enquanto está a observá-lo, faça imediatamente o som "sssss". Ao fim de uns dias, o bebê associará esse som com a eliminação.
3. Posição e local
Quando achar que o bebê precisa de fazer xixi ou cocô, segure-o bem, mas suavemente sobre o local escolhido para a função e emita um sinal audível ("sssss" ou o som/palavras que preferir). O bebê depressa associará o som, a posição e o local com a eliminação. Utilize o lugar e o recipiente que achar mais confortável e prático. Entre as muitas possibilidades contam-se a pia do banheiro, uma tigela, uma bacia, um penico e ao ar livre. Os bebês mais crescidos podem sentar-se no vaso sanitário entre as suas pernas.
4. Comunicação entre mãe e bebê
A partir de agora, preste muita atenção ao ritmo e aos sinais do bebê. Quando achar que ele está em vias de fazer as necessidades, segure-o na posição adequada e faça o seu sinal. Os bebês de colo conseguem descontrair os músculos ao ouvir as nossas deixas, se estiver quase no momento certo.

Como é que sei quando o bebê precisa de fazer xixi ou cocô?
Pode saber quando o bebê precisa fazer as necessidades através de pelo menos um dos seguintes aspectos:
- Ritmo (ir olhando para o relógio)
- Sinais e deixas (incluindo a linguagem corporal e as vocalizações)
- Padrões de eliminação (relação com a refeição, o despertar, etc.)
- Intuição e instinto


Como vestir o bebê da maneira mais favorável?
Há dois fatores principais a ter em consideração:
- Circunstâncias individuais, tais como o clima, o estilo de vida, a saúde e as
pressões sociais;
- O fato de que quanto menos camadas de roupa tiver o bebê mais fácil é para si e para o bebê estarem em contato um com o outro, aprenderem e comunicarem sobre as necessidades fisiológicas. É mais fácil ler e responder à linguagem corporal e a outros sinais de um bebê que esteja sem roupa, de bumbum de fora ou de outra forma facilmente acessível. Andar com o bebê no sling também ajuda pois é mais provável que vocês consigam andar sincronizados.
A situação ideal (nem sempre possível ou desejável) é o bebê andar nu ou de bumbum de fora. Se isso não for possível:
- Tente vesti-lo com o mínimo de roupa possível;
- Use roupa que possa ser rápida e facilmente removida (evite fivelas, botões, etc.)
Há muitas maneiras diferentes de vestir um bebê tendo em conta a facilidade de acesso. Seja criativa e adapte-se à sua situação e às diferentes fases do desenvolvimento do bebê. Muitas mães preferem costurar elas mesmas a roupa do bebê. Para além de usar fraldas como apoio, aqui ficam algumas outras sugestões:
- Roupa e equipamento para todos os tamanhos e idades http://theecstore.com/
- Para recém-nascidos, pijamas do tipo saco-cama, de apertar no fundo;
- Camisetas compridas ou vestidos (o comprimento adequado dependerá da mobilidade do bebê);
- Calções ou cuecas maleáveis (de turco, de malha de algodão ou lã), com cintura elástica;
- Fraldas-cueca;
- Roupa de bebê chinesa, aberta no entrepernas, à venda em: MamaRoo
- Calças chinesas discretas, à venda em: Mummys Milk

Vantagens da higiene sem (ou com menos) fraldas
Os grandes beneficiários são o bebê, os pais e o ambiente. Aqui fica uma lista mais pormenorizada das vantagens da higiene sem (ou com menos) fraldas:
- Aumenta o apego através da proximidade, da comunicação natural e da paciência amorosa;
- Responde ao ritmo e à comunicação natural do bebê relativamente às suas necessidades fisiológicas;
- Atua diretamente no primeiro período de sensibilidade e predisposição para a aprendizagem;
- Ajuda o ambiente ao conservar/poupar árvores, água, petróleo e espaço nos locais de despejo de resíduos;
- Elimina ou reduz drasticamente o uso de fraldas;
- Permite aos bebês atingirem um controle razoável entre os 12 e os 18 meses;
- Dá aos bebês a possibilidade de completar a higiene sem fraldas relativamente cedo (cerca dos 24 meses);
- Liberta os bebês das fraldas e respectivas associações negativas (sensação de peso e volume entre as pernas, químicos, etc.);
- Evita/elimina a enurese (fazer xixi na cama);
- Previne as assaduras;
- Permite o respeito pela higiene do bebê;
- Elimina "acidentes" embaraçosos para os bebês mais crescidos;
- Permite que o pai ou outras pessoas próximas e de confiança criem laços e comuniquem com o bebê;
- Proporciona uma grande poupança em fraldas e lavagem de roupa;
- Mantém o bebê consciente do seu próprio corpo;
- Reduz o risco de infecções urinárias.

Qual é a opinião dos médicos?
Embora o método da higiene sem (ou com menos) fraldas não seja muito conhecido no Ocidente, há cada vez mais médicos e pediatras a apoiá-lo. Muitos destes assistiram ao funcionamento do método no decurso de viagens no estrangeiro ou então são casados com imigrantes que cresceram em culturas nas quais este método é prática comum. Alguns médicos usaram-no com os seus próprios bebês.
Como tantas outras coisas na vida, as teorias e opiniões sobre a idade indicada para começar a aprendizagem do controle das necessidades têm variado muito ao longo dos tempos. Até aos anos cinquenta, a maioria das famílias ocidentais começava relativamente cedo, entre os 3 e os 10 meses, e terminava também relativamente cedo. Depois surgiram a indústria das fraldas descartáveis, os estilos de vida mais frenéticos e uma nova teoria de que é melhor adiar e deixar que seja o bebê a aprender sozinho quando for capaz. A tendência está outra vez a mudar, com uma nova investigação europeia (de Agosto de 2000) a concluir que as atuais noções ocidentais sobre controle dos esfíncteres são incorretas e que em muitos casos é melhor começar mais cedo do que deixar para mais tarde. Apesar das diferentes opiniões médicas e teorias psicológicas ocidentais, a higiene sem (ou com menos) fraldas tem sido o principal método utilizado por milhões de bebês felizes e bem adaptados em muitas sociedades ao longo dos séculos. Ninguém pode negar esse fato.

E para bebês de 6 meses ou mais, será demasiado tarde?
Muitos pais começaram aos 6, 9 e até 12 meses e conseguiram, recorrendo a algumas alterações. Normalmente é mais difícil começar com um bebê que já anda e que foi "treinado" para fazer as necessidades numa fralda ou que usa fraldas descartáveis e não associa a sensação de umidade com a eliminação. Depende sobretudo das suas convicções. Se este método lhe soa bem, se sente que é adequado para si e para o seu bebê, e se o bebê for saudável e aderir a ele, então vale certamente a pena experimentar! Desde que não haja perturbações de maior na vida e na saúde da família, é provável que esteja aberta e receptiva à comunicação sobre a eliminação por parte do bebê.
Outro fator a considerar é que não existe uma idade limite fixa a partir da qual os bebês percam a ligação com as suas funções de eliminação. Cada criança é única e desenvolve-se à sua maneira. Há pais que tiveram conhecimento da higiene sem (ou com menos) fraldas, ou começaram com outros métodos de aprendizagem do controle das necessidades, quando os bebês já tinham entre 6 a 18 meses, 2 anos ou até mais, e que tiveram o prazer de descobrir que os seus pequeninos estavam ainda receptivos e aptos a comunicar a respeito das suas necessidades fisiológicas. Em suma, o período de predisposição para a aprendizagem parece ser mais prolongado em alguns bebês. Sejam de que idade forem os bebês quando os pais ouvem pela primeira vez falar de higiene sem (ou com menos) fraldas, eu recomendo geralmente que façam uma tentativa durante umas semanas com este método suave e afetuoso, e ponderem depois se querem continuar.

Perguntas? Entre em contato comigo!
Chamo-me Laurie Boucke e pode escrever-me por email em inglês, francês ou holandês, para o seguinte endereço: infantpotty@hotmail.com
© copyright 2000 – 2010 -   texto utilizado com a autorização da autora.
Tradução de Manuela Vaz e adaptado para o português do Brasil por Célia Regina da Silva

Texto disponível em: http://www.timl.com/ipt/